sexta-feira, 20 de julho de 2018

Tartarugas na Amazônia escolhem o melhor lugar na praia para depositar ovos


Julho chega e as praias de água doce viram berçários para milhares de tartarugas na Amazônia. Até janeiro do ano seguinte, iaçás, tracajás e tartarugas-da-amazônia, aos montes, vão buscar as margens de rios e lagos para depositar ovos na areia. A escolha de um bom lugar para construir o ninho é fundamental para o sucesso da reprodução. Uma pesquisa do Instituto Mamirauá analisou a preferência e o uso de locais de desova feito por três espécies de tartarugas em uma praia na região do Médio Solimões, estado do Amazonas.

- Em busca dos ninhos:

A Praia do Horizonte é uma faixa de areia na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. De agosto a dezembro de 2016, pesquisadores percorreram os cerca de três quilômetros (sentido leste/oeste) e 500 metros (sentido norte/sul) de extensão da praia, monitorando ninhos. Os rastros deixados na areia pelas "mães tartarugas" foram pistas para a equipe localizar os pontos de desova. À medida que eram identificados, os pontos foram marcados com placas de metal, para posterior procura com detector de metais e registrados no sistema de posicionamento global (GPS).


O monitoramento do Instituto Mamirauá contabilizou 194 ninhos de iaçás (Podocnemis sextuberculata), 11 de ninhos de tracajá (Podocnemis unifilis) e cinco de tartarugas-da-amazônia (Podocnemis expansa).

Além disso, os cientistas coletaram amostras de aproximadamente 200 gramas de areia de cada ninho e também de pontos aleatórios na praia. O material foi usado para análises em laboratório e comparações entre a composição de areia em diferentes áreas. Veja, a seguir, resultados encontrados para cada espécie de tartaruga:

- Iaçás: ninhos de areia fina e desova em pontos altos:

Donas da maior quantidade de ninhos monitorados, as iaçás concentraram a desova na região central da praia, escolhendo áreas altas, com uma inclinação gradual ao passo que os ninhos ficam mais afastados do rio, no sentido sul-norte.

De acordo com a pesquisa, "a granulometria é predominantemente de areia fina (93,64%)", indicando a preferência por esse tipo de sedimento. As iaçás percorreram grandes distâncias entre a água e os ninhos, em uma média superior a 90 metros.

- Tracajás: areia, argila e desova em locais com umidade:

Em comparação, os tracajás fizeram um caminho menor até os pontos de desova, ficando em uma média de 71,1 metros. A localização dos ninhos da espécie demonstrou uma escolha das fêmeas pela zona norte da praia.

"A maioria dos ninhos de tracajá se encontrava na parte norte da praia, onde havia uma inclinação abrupta, tendo a maior média de altura entre as espécies (média = 6,18 m) ", afirma o estudo, assinado pelos pesquisadores do Instituto Mamirauá, Marina Secco e Robinson Botero-Arias, David Guimarães da Universidade Federal do Acre (UFAC), e Cássia Camillo, pesquisadora da Universidade da Flórida.


As amostras coletadas na região de desova dos tracajás apresentaram uma concentração moderada de argila misturada à areia, o que ajuda a criar "um local adequado para a postura, uma vez que essa espécie prefere depositar seus ovos em locais mais úmidos".

A escolha dos lugares mais altos para a desova dos ovos de tracajá chamou a atenção dos pesquisadores, já que a tartaruga-da-amazônia é mais reconhecida por esse comportamento. "Isso pode ser explicado se levado em consideração a distância entre o ninho e a água, uma vez que P. unifilis prefere desovar em locais próximos ao rio e, na praia estudada, havia um corpo d'água próximo às maiores alturas encontradas", consideram.


- Tartarugas-da-amazônia: areia grossa e menor tempo de incubação:

Os ninhos da terceira espécie investigada, a tartaruga-da-amazônia, ocuparam a porção sul da praia do Horizonte, próximos da água. As alturas dos pontos de desova ficaram entre 4 e 6 metros.

De acordo com os autores da pesquisa, "por apresentarem uma maior fração de areia grossa (0,44%) e menor de argila (2,43%) e se encontrarem em locais altos (os ninhos) possuem um menor tempo de incubação".

Além da análise dos usos de locais de desova feito por cada espécie, os cientistas apuraram características de pontos da praia com ninhos e daqueles onde não havia ovos de tartaruga.

- Áreas de desova têm mais areia grossa:

Os locais de desova e os que não tinham ovos tiveram grandes diferenças de altura e presença de areia grossa. As áreas sem ninhos têm altas concentrações de areia fina, representado mais de 80% de toda composição de areia. Os especialistas acreditam que esse seja um dos motivos "pelo qual algumas áreas da praia não havia desova".

A pesquisa foi conduzida pelo Programa de Pesquisa em Manejo e Conservação de Quelônios do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).


Fonte: João Cunha



Destinos nacionais perfeitos para o inverno


O primeiro semestre de 2018 chegou ao fim e, com a estreia do inverno, as pessoas já estão pensando no seu próximo destino para curtir um bom descanso. E, mesmo com as baixas temperaturas, há diversos destinos por todo o Brasil que são incríveis durante essa estação.

- Serras Gaúchas (RS):

Os destinos mais famosos da região sul ficam ainda melhores durante o inverno, e é impossível não se apaixonar por eles. Enquanto Gramado encanta pelo visual romântico de suas casinhas em enxaimel, Bento Gonçalves tem como principais atrações as suas vinícolas. Na primeira, também há o primeiro parque de neve indoor das Américas e, na segunda, pode-se percorrer os charmosos Caminhos de Pedra e ainda fazer o encantador passeio de Maria Fumaça.


As Serras Gaúchas são a escolha ideal para casais, principalmente aqueles que curtem o frio e querem comer muito bem. Salames, queijos, vinhos e chocolates farão parte de todos os dias da viagem, e vale também reservar uma noite para curtir em frente à lareira!

- Foz do Iguaçu (PR):

Foz do Iguaçu seduz principalmente quem gosta do contato com a natureza. Sua atração mais famosa, o Parque Nacional do Iguaçu, tem 275 quedas d’água com até 90 metros, e deixa visitantes do mundo todo boquiabertos com tamanha imponência. A dica da Agência Abreu é conhecer toda essa beleza em um passeio de barco ou helicóptero.


Outras atrações da cidade são o Marco das Três Fronteiras, a Usina Hidrelétrica de Itaipu e o Parque das Aves.


- Beto Carrero (SC):

O Beto Carrero World é o parque de diversões mais famoso do Brasil, e o lugar perfeito para quem viaja com crianças. Com mais de 25 anos de história, o parque tem atividades para todas as idades, desde passeios no zoológico até atrações radicais, inclusive uma série de brinquedos temáticos criados em parceria com os estúdios da Dreamworks, contando com personagens de filmes como Madagascar e Shrek.


A estação fria não compromete o destino. Na verdade, as temperaturas se mantêm agradáveis durante os dias ensolarados, que são muitos já que esta é a época menos chuvosa do ano.

- Rio Quente e Caldas Novas (GO):


Estes também são destinos ideais para famílias com crianças e para quem quer fugir das baixas temperaturas. A maior estância hidrotermal do mundo tem piscinas com temperaturas que variam entre 30 e 57 graus, o suficiente para qualquer um esquecer que é inverno. Para aproveitar cada segundo ao máximo, o melhor é ficar em um dos resorts, curtindo piscinas, bares e restaurantes.


Mas também há muito para aproveitar fora dos hotéis, como o maior complexo de lazer da região, o Hot Park, e o Parque Estadual da Serra de Caldas, onde é possível fazer caminhadas.



Fonte: Agência Abreu de Turismo / Jessica Ferreira


quinta-feira, 19 de julho de 2018

Por que muitos empresários não conseguem sair de férias?




Ser empresário, para muitos, não é exatamente um mar de rosas. Muitas vezes, ele é o primeiro a entrar e o último a sair. Décimo terceiro salário é apenas para os colaboradores e as férias nem sempre vêm como ele quer. Mas, então há um paradoxo por trás disso, pois quase todo empresário montou sua empresa com o sonho de ter liberdade financeira, de tempo e de escolha. 


E, férias pelo tempo que quiser sem ter que pensar na própria empresa, estão inclusas aí. A pergunta que fica é: quantos dos empresários estão obtendo estes benefícios? Quando faço essa pergunta aos empresários que participam dos nossos eventos, vejo que quase nenhum responde afirmativamente.

Ao contrário, muitas vezes estão estressados, com a saúde já não tão boa e até a família entra na dança. Diferentemente do que muitos pensam, isso não deveria ser assim. Muito trabalho não é sinônimo de resultados e, a consequência é mais sofrimento que prazer em ter a empresa que sempre sonhou.


A questão muitas vezes está mais ligada à forma como pensa o empresário do que a outras questões em si. Até porque a forma como ele pensa leva à forma como decide e, consequentemente, leva às ações tomadas que, por sua vez, tornam-se os resultados (positivos ou negativos). Então, basicamente, se os resultados não estão a contento é porque as formas de pensar também não estão.

A próxima pergunta é: como pensa o empresário? Verificando mais a fundo, se encontra o paradoxo. Complete a frase: "O olho do dono engorda o ...". Sim, se eu citar esta frase em mil palestrar minhas, em todas, muitos empresários vão conseguir completar a frase perfeitamente. Normalmente: "O olho do dono engorda o gado (ou o porco, dependendo de quem fala)".

Mas o que significa isso? Significa que o empresário tem que ficar na empresa todo tempo, caso contrário ela não funcionará. Significa também que ele não tem confiança nas pessoas que operam a empresa para ele. Porque se alguém tem que fazer as coisas bem feitas, será apenas ele (é como pensa, mas nem sempre reconhece). Muitos vão dizer "eu não penso assim". Bom, verifique melhor a forma como faz as coisas, porque muitos donos estão assim e não se deram conta disso ainda. Como eu sei disso? Pelo resultado e pela produtividade dele e da empresa.

Então, será que o velho ditado "o olho do dono engorda o gado" funciona? Certamente se o empresário quer crescer e expandir a ponto de ter várias unidades de seu negócio, não. Seria improvável o dono conseguir chegar a dirigir uma empresa média ou grande com eficácia, sozinho. E é exatamente por isso que existem equipes, sistemas e processos dentro de uma empresa. Para que ela funcione sem o dono operando.

Sendo assim. para tirar férias efetivas (muitos têm férias, mas não são efetivas) em primeiro lugar o dono deve mudar a forma de pensar. Deve pensar que em médio/ longo prazo, a empresa não deveria ser operada por ele. Isso vai força-lo a montar as melhores equipes, sistemas e processos. O que no final das contas significa melhorar a produtividade e consequentemente os resultados.



Fonte: Marcos Guglielmi é treinador de empresários, empresário e sócio fundador da ActionCOACH São Paulo.


Empresas vivendo menos, pessoas vivendo mais



No ano de 1900, a expectativa de vida de um brasileiro ao nascer era de apenas 33 anos. Em 1940, era de 43 anos. Apesar de o país ser pobre e atrasado, a expectativa de vida no Brasil em 2016 atingiu 75,8 anos. As pessoas estão vivendo mais, muito mais. É uma mudança radical, que tem impactos no mercado de trabalho, na previdência, na saúde, nas finanças pessoais e, de resto, em todos os aspectos econômicos e sociais. Praticamente nenhum setor deixará de ser impactado pelas mudanças demográficas e pela expectativa de vida. Viver mais pode ser uma dádiva, desde que você entenda o que está acontecendo e saiba lidar com as consequências.

Em relação às empresas abertas no território brasileiro, 60% delas morrem antes de completar cinco anos. Em setembro de 2016, a revista Exame publicou matéria sobre as empresas instaladas no Brasil que tinham mais de 100 anos idade: eram apenas 34. No atual mundo instável e de revolução tecnológica constante, as empresas estão vivendo menos. Hoje, até mesmo gigantes, como a General Motors, estão morrendo mais cedo. Há seis ou sete décadas, as empresas duravam mais, os trabalhadores ingressavam em um trabalho e só saíam ao se aposentar. Esse tempo acabou.

Duas perguntas se impõem: (a) por que esses fenômenos estão ocorrendo? (b) quais as consequências para nossa vida pessoal? Quanto à primeira pergunta, há algo interessante: os dois fenômenos que estão fazendo as pessoas viverem mais são os mesmos que fazem as empresas viverem menos. Esses fatores são: o progresso da ciência e a revolução tecnológica. A explosão de conhecimentos científicos que se seguiu à descoberta do antibiótico por Alexander Fleming em 1928 e a revolução tecnológica no mundo da farmacologia, das ciências médicas e das condições sanitárias mudaram por completo a expectativa de vida dos humanos. Muito breve teremos uma legião de pessoas com mais de 100 anos.

Pois a evolução das ciências e a monumental explosão das tecnologias estão jogando uma multidão de empresas no leito de morte. Os exemplos são muitos. As grandes fábricas de automóveis – General Motors, Volkswagen, Ford e outras – nasceram com a revolução na eletricidade no fim do século 19 e a invenção do motor a combustão interna, e viveram tranquilas por décadas. A maioria não previu que, nos anos 1980, os japoneses viriam a ferir de morte a indústria automobilística norte-americana dentro do próprio Estados Unidos. O deslumbre com o sucesso impediu que os executivos do setor de automóveis percebessem a onda tecnológica que vinha em sua direção.

No mundo atual, algo parecido está ocorrendo. A explosão de descobertas e invenções vem criando uma revolução tecnológica permanente, sem data para acabar, que vai sangrar milhões de empresas em todo o mundo. Uma consequência é certa: milhões de trabalhadores perderão seus empregos mais de uma vez durante sua vida. Como a vida está mais longa, é recomendável questionar sobre como se preparar para enfrentar essa realidade e construir uma aposentadoria tranquila.

Em verdade, primeiro devemos pensar sobre como resolver o problema de sustentar a nós e nossa família durante o tempo de trabalho, que não será mais de apenas 35 anos; para quem tiver saúde, o período de trabalho será de 50, 60 anos. Os sistemas de previdência social tal como existem hoje vão desaparecer, é uma questão de tempo. Mais cedo ou mais tarde, as duas previdências, a do INSS (trabalhadores privados) e a dos servidores públicos, vão ser reformadas. Ou fazemos isso ou o país vai afundar na pobreza. Não é uma questão ideológica. É imposição da realidade dos fatos.

Não há nada mais antigo e mais atrasado do que esse embate tosco entre esquerda e direita (se é que existe isso no Brasil), uns dizendo que a previdência está falida e tem de ser reformada e outros dizendo que não. É o caso de perguntar quantos dessa gente observam o mundo, estudam, analisam e adquirem conhecimentos necessários para um debate inteligente. Certamente, bem poucos.

Quanto aos empreendedores, eles também devem pensar sobre como prolongar a vida de suas empresas. As mudanças pelas quais o mundo está passando exigem que as pessoas se adaptem e as empresas também. Teimar contra os fatos não é bom caminho.
                                      
Fonte: José Pio Martins é economista e reitor da Universidade Positivo (UP).