terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Turismo brasileiro:estratégias equivocadas

No plano administrativo e político,devemos confessar que o Brasil avançou no governo Lula:foi criado um ministério do turismo,a embratur se tornou uma empresa voltada exclusivamente para a promoção internacional e foi criado um plano nacional de turismo,que contou com a colaboração de algumas lideranças.Teoricamente,com o retorno do conselho nacional de turismo,o Brasil parecia estar trilhando um novo caminho.Na prática,no entanto,não é o que vem ocorrendo.

A lei 8181/91 continua em vigor,contrariando o modelo atual do turismo federal,o decreto-lei 2294/86 não permite um verdadeiro controle de qualidade dos prestadores de serviços turísticos,embora as associações de classe tentem de alguma forma,definir qualidade através de sua filiação.

Os cargos foram distribuídos ,através do chamado“pacto de governabilidade’,retirando o caráter técnico que deve ser levado a cabo,nas áreas de planejamento,formatação de produtos,promoção e capacitação.Custa ,por exemplo,acreditar que o maior produto turístico do país,comprovado pelas estatísticas,o Rio,tem sua maior presença institucional,numa diretoria da Embratur”.

A promoção do Brasil parece um pouco perdida:escritórios vão sendo criados no exterior, ,muitas vezes ocupados por pessoas que nem sequer dominam fluentemente os idiomas estrangeiros ou ainda conheçam realmente os mercados onde estão atuando,com salários fora das realidades de representações promocionais. Resolveram atirar em todas as frentes,participando de eventos inexpressivos,como ocorreu na Holanda e assim,perdendo os poucos recursos disponíveis.

No Brasil,a estrutura do turismo cria promoções municipais,estaduais sem ter uma coordenação,de fato,que deveria ser a função do governo central.Os consulados e as embaixadas devem ser estruturados como escritórios de promoção,com treinamento efetivo dos diplomatas no Instituto Rio Branco,com a disciplina Turismo e não palestras periódicas.

Lembro que promover não é aparecer em colunas sociais em eventos fechados mas estar presente ,com know how nas grandes feiras de turismo.O marketing moderno nos remete ao conceito de produtos mais fortes e complementares.Sugerimos a criação de comitês institucionais de divulgação,integrados pelos conventions bureaux,secretarias municipais,estaduais em cada região macro turística do Brasil,para desenvolver estratégias conjuntas ,que beneficiarão as regiões e sobretudo valorizar os poucos recursos.

O transporte aéreo também em crise e o Dac autoriza mais uma companhia aérea,no momento em que todos tem que se solidarizar com a Varig,a companhia que mais contribui para o Brasil turístico e vem se recuperando,através de uma política moderna de administração,code share e alianças.O Brasil não tem condições de novas transportadoras aéreas.A confusão é grande,sobretudo com a Vasp agora quase acabando....

O ensino do turismo está se distanciando de suas funções precípuas.São mais de 650 faculdades de turismo abertas e que não conseguem,a excelência operacional que tais cursos deveriam proporcionar,sem laboratórios ,corpo docente atualizado ou ainda propostas inovadoras para o novo Brasil Turístico,apregoado aos 4 cantos pelo governo Lula.

Sou favorável à concorrência,que é saudável e que nos ajuda a melhorar cada vez mais nossos serviços educacionais mas não posso tolerar a forma inadequada de controle das instituições de ensino.Vamos desenvolver programas emergenciais em áreas que são detectadas como carentes:atendimento de taxistas,preparação das forças de segurança turística e formação de lideranças turísticas nos municípios,que possam assumir secretarias.

Vejo esforços isolados da Bahia,do Estado e da cidade do Rio de Janeiro mas que precisam de apoio financeiro efetivo do governo federal.O dinheiro publico pode ser mais bem utilizado,se gerenciado de forma integrada.

Continuo acreditando no Brasil Turístico mas quero questionar modelos que podem ser melhorados e aprimorados,bastando coordenação.A questão,por exemplo da segurança,que aflige o Brasil deve ser repensada.O acesso das comunidades mais carentes ao lazer e ao turismo tem que estudar experiências que deram certo,como os VVF ,na França.

O Brasil dos 9 milhões de turistas,previstos no plano Lula tem que se definir como qualitativo ou quantitativo,caso contrário,no final do governo,os esforços terão sido em vão...

Fonte : Bayard Boiteux é diretor do Curso de Turismo da UniverCidade e doutorando em Direito da Cidade pela Uerj.

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