quarta-feira, 4 de maio de 2011

Fraude contábil: de quem é a culpa?

Mais uma vez a mídia é bombardeada com notícias, artigos e entrevistas sobre os motivos da fraude. Quem errou? Como poderia ter acontecido? E agora, como fica a credibilidade dos envolvidos? A auditoria poderia ter evitado o problema?

Casos do Barings, Enron, Worldcom, Arthur Andersen, da indiana Satyam Computer Service ou do Fundo Americano Madoff, entre outras empresas, nos forneceram subsídios, através de exemplos práticos, de como não gerir uma empresa e de como a fraude pode ser praticada.

O importante deste momento, no entanto, e que não me canso de repetir, é que precisamos fazer mudanças, sejam por meio do Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Conselho Federal de Contabilidade (CFC), IBRACON, Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e quem mais puder auxiliar neste momento marcante na história financeira do país.

Será que as melhores práticas de controles contábeis e/ou internos não existem? E mais uma vez podemos afirmar que se a índole das pessoas fosse no mínimo dentro do esperado, não haveria necessidade de tantos controles, pois seriam apenas para evitar erros e as fraudes seriam raríssimas.

Nos últimos dias ouvi e li muito sobre o fato ocorrido no PanAmericano. Agora, veio a tona o caso do Carrefour. Ainda me recordo de alguns meses atrás reportagens afirmando que a nova contabilidade brasileira (IFRS) evitaria fraudes, que as melhores práticas de governança corporativa fortaleceriam as empresas, que os processos de auditoria agora seriam mais robustos. Me pergunto: e agora? O que fazer com esta perda de credibilidade?

Os contadores necessitam recordar do juramento no dia da formatura, e sem contar no dia do recebimento de determinado número do Conselho Regional de Contabilidade (CRC) e de dois livros – um sobre ética na profissão.

As auditorias necessitam fortalecer seus colaboradores com conhecimento e não podem mais se esconder atrás das cartas de conforto (em inglês: Confort letters) exigidas da alta administração das empresas ao fim de um trabalho, como forma de evidenciar que só auditou aquilo que a empresa forneceu a elas.

Os controladores não devem somente pensar no resultado, mas entender como ele foi formado. Os conselheiros devem buscar formas de obter mais informações de operações de grande monta, contratos, relatórios e, quando tiver uma dúvida, pedir a alguém gabaritado para explicar. A obrigação de afinar a função de fiscalização é deles.

Existe uma máxima que os profissionais que mais tempo exercem suas atividades nas empresas são os do financeiro, contabilidade e auditoria. Será que a rotatividade nestas áreas está alta? A sua empresa costuma substituir com frequência estes profissionais? Acredito que vários profissionais são dedicados, honestos, e muitos deles não compartilham com operações fraudulentas. Quantos colegas de profissão conhecemos que já foram demitidos ou dispensados por que identificou fraude ou roubo, mas como a diretoria está envolvida, o caso foi abafado e, por conta disso, ele é que foi afastado das atividades da empresa no dia seguinte.

Devemos elaborar uma taxonomia da atividade que exercermos ou revisamos, pois com este conhecimento do negócio, da forma como funciona, o perfil dos profissionais envolvidos, das metas e objetivos dos gestores, e através de profissionais mais capacitados, poderemos minimizar as possibilidades de erros e fraudes.

Por fim, não basta somente regulamentar mercados e setores da indústria. As melhores práticas de controles e governança já existem – mas infelizmente a ausência de índole também.


Enviado por: Marcos Assi é coordenador do MBA Gestão de Riscos e Compliance da Trevisan Escola de Negócios, professor da FIA e Saint Paul Escola de Negócios, autor do livro “Controles Internos e Cultura Organizacional – como consolidar a confiança na gestão dos negócios” (Saint Paul Editora). É também consultor de Riscos Financeiros e Compliance da DARYUS Consultoria.

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