segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Sindicato pede retratação do técnico Felipão

 O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região enviou uma carta na quinta-feira (29/11) à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pedindo a retratação do técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari. Durante entrevista coletiva, ele teria comparado o trabalho do jogador de futebol com o do bancário do Banco do Brasil: “se não quer pressão é melhor não jogar na seleção, vão trabalhar no Banco do Brasil, num escritório”.

A carta enviada pelo Sindicato destaca que “os bancários do Banco do Brasil, como os de todos os outros bancos no país, estão entre as categorias que mais adoecem, atingindo níveis epidêmicos, em função da pressão e do assédio moral que sofrem nas agências e departamentos das instituições financeiras”.

Para a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira, por desconhecimento da realidade, o técnico Felipão, ao fazer tal declaração, presta um desserviço à sociedade. "Convidamos ele a conhecer nossa realidade, ver como funciona o dia a dia de uma agência bancária e a luta que empreendemos pelo fim da pressão e do assédio moral”, disse.


Segue íntegra da carta:

"Ao técnico da Seleção Brasileira de Futebol

Luiz Felipe Scolari

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região vem por meio desta expressar sua indignação diante da manifestação feita pelo senhor, como técnico da Seleção Brasileira de Futebol. Ao dizer que “se não quer pressão é melhor não jogar na seleção, vão trabalhar no Banco do Brasil, num escritório”, demonstrou total desconhecimento de causa. Os bancários e o Sindicato sentiram-se desrespeitados pela sua frase, que de forma alguma espelha a realidade do setor, e esperam sua retratação.

Convidamos o senhor a conhecer o trabalho bancário, os funcionários do Banco do Brasil, as agências com longas filas, o ritmo alucinante que faz parte do cotidiano dos trabalhadores de instituições financeiras no nosso país.

Os bancários do BB, como os de todos os outros bancos no país, estão entre as categorias que mais adoecem, atingindo níveis epidêmicos, em função da pressão e do assédio moral que sofrem nas agências e departamentos das instituições financeiras. O modo de gestão dos bancos, que cobra metas abusivas para a venda de produtos e serviços, causa aos trabalhadores do setor doenças como depressão, estresse, síndrome do pânico. Assediados moralmente com a possibilidade de demissão caso não atinjam essas metas, muitos padecem porque precisam do emprego para sobreviver.

O Sindicato mantém luta cotidiana incessante para mudar esse quadro. Inclusive renovou esta semana um acordo com os bancos no sentido de combater o assédio moral que resulta de toda essa pressão.

Encerramos, desejando ao senhor técnico, sorte à frente da seleção e bom desempenho a todos os profissionais na Copa de 2014, trazendo à nação todo orgulho que o Brasil merece".
  
 
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Enviado por:    Cecilia Negrão

Assessora de imprensa do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região

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