sexta-feira, 4 de abril de 2014

Pesquisa confirma presença de animais ameaçados de extinção na RPPN Urú



Jaguatirica, paca, veado-campeiro, mais 38 espécies de mamíferos de médio e grande porte, e 573 espécies de plantas, entre elas a raríssima Mimosa per-dusenii (foto), habitam a RPPN Urú, propriedade da família Campanholo, localizada no município da Lapa, Paraná, e inserida nos domínios fitogeográficos da floresta com Araucária. 


Os dados apresentados são resultados da pesquisa realizada pela bióloga e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Gestão Ambiental da Universidade Positivo, Dayane May, sobre a ocorrência de fauna e flora nativa para a atualização do Plano de Manejo da propriedade.

A RPPN Urú conta com um ambiente de 128,67 hectares de remanescentes nativos da Floresta com Araucária, conservados por meio da parceria firmada entre o Instituto Positivo e a SPVS desde 2003, e faz parte do pioneiro programa de adoção de Floresta com Araucária, o Desmatamento Evitado.

Iniciada em outubro de 2012 e concluída em janeiro de 2014, a pesquisa comprova a grande biodiversidade presente na área. O levantamento da vegetação lista 573 espécies distribuídas em 102 famílias de plantas ainda não amostradas, entre elas 20 raras, 15 ameaçadas de extinção e uma raríssima – a Mimosa per-dusenii (Fabaceae). 

Já na pesquisa de fauna, foram registradas 41 espécies de mamíferos de médio e grande porte, sendo dez delas incluídas no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná.

O levantamento da fauna foi realizado por meio de armadilhas fotográficas que capturavam as imagens dos animais que passavam à frente da câmera. Foram fotografadas espécies como a jaguatirica, paca, veado-campeiro, gato-mourisco, quati, irara, bugios, tatu-galinha, tatu-rabo-mole, gambá-de-orelha-preta, mão-pelada, cutia, entre outras.

Segundo Adriane Ribeiro, Coordenadora do Instituto Positivo, este tipo de levantamento possibilita o conhecimento da composição da fauna e flora da RPPN Urú e gera subsídios para o desenvolvimento futuro de projetos relacionados à pesquisa, ensino e extensão, com foco em práticas de conservação, manejo e educação ambiental. 

“O objetivo do Instituto Positivo com a adoção da RPPN Urú é contribuir para o desenvolvimento científico e divulgação do conhecimento gerado, ampliando o engajamento para as necessidades de conservação de ambientes naturais”, comenta.

Para Clóvis Borges, Diretor Executivo da SPVS, os resultados dos estudos vão além da demonstração da diversidade de flora e fauna da RPPN Urú, eles retratam os ótimos resultados de uma parceria que deve servir de referência para as demais empresas paranaenses. 

“É fundamental que outras empresas se inspirem na decisão do Positivo e apresentem-se para liderar, discutir e desenvolver as interfaces fundamentais do que poderá se transformar em uma iniciativa para o resto de nossas vidas”, declarou Borges.


Abaixo algumas espécies registradas pelas armadilhas fotográficas na RPPN Urú durante os levantamentos da bióloga Dayane May.

- Jaguatirica (Leopardus pardalis) - fotografada em dezembro de 2013 na RPPN Urú, é uma das espécies consideradas vulneráveis, tendo desaparecido de algumas regiões paranaenses, junto com a diminuição das áreas de floresta. A principal causa de ameaça, no entanto, é a caça para o comércio ilegal de peles.

                                 
- Paca (Cuniculus paca) - Roedor de corpo robusto e alongado, está ameaçado pelos caçadores e pela destruição das matas marginais e cursos d’água. Em uma das fotos, feita em 27 de dezembro de 2013, se vê uma paca com seu filhote.

                 

- Veado-catingueiro (Mazama gouazoubira) - As maiores ameaças ao veado-catingueiro são a caça e a destruição de seu habitat, por causa da presença humana. O veado era caçado por “esporte” e para alimentação. As fotos ao lado mostram um veado-catingueiro macho (com galhada) e uma fêmea, e foram registradas em 16 de janeiro deste ano.


Outros animais identificados e fotografados na Mata do Uru durante a pesquisa:

- Gato Mourisco (Puma yaguarondi) – Dezembro/ 2013.

- Irara (Eira barbara) – Dezembro/ 2013 e janeiro e fevereiro/ 2014.

- Cutia (Dasyprocta aguti) – Janeiro/ 2013, Janeiro e Fevereiro/2014.

- Quati (Nasua nasua) – Janeiro e Fevereiro/ 2014.

- Bugio macho e filhote (Alouatta guariba) – Janeiro/ 2014

- Gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita) –Janeiro e Fevereiro/ 2014

                                                


SOBRE A SPVS:

A SPVS - Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental - é uma instituição do terceiro setor, brasileira, fundada em 1984 em Curitiba. É uma das instituições pioneiras no País que trabalham com a missão da conservação da natureza. Atuando em diversos biomas brasileiros, o trabalho da SPVS tem características voltadas à expansão e replicabilidade, a partir da geração de iniciativas inovadoras que influenciem políticas públicas com o envolvimento do setor público e privado na agenda da conservação da biodiversidade.


Enviado porFernanda Triches

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