terça-feira, 6 de maio de 2014

Rede WWF realiza conferência para discutir diretrizes globais de conservação




Pela primeira vez, o Brasil será sede da Conferência Anual da Rede WWF (World Wildlife Fund), que será realizada de 5 a 9 de maio, em Foz do Iguaçu (PR). 

Presente em mais de 100 países e com cinco milhões de associados distribuídos em cinco continentes, a Rede WWF se consolidou como a maior organização ambientalista no mundo.

A Conferência irá reunir a liderança do WWF para discutir as diretrizes estratégicas globais da instituição, tendo como base os desafios socioeconômicos e ambientais. 


Neste ano, o tema que irá orientar as discussões será "Alimentos, Água e Energia para Todos".

“Vivemos como se tivéssemos um planeta extra à nossa disposição. Utilizamos 50% mais recursos do que o planeta Terra pode produzir de forma sustentável. 


Até 2030, nem mesmo dois planetas serão suficientes. Mas temos, sim, capacidade para criar um futuro próspero que forneça alimentos, água e energia para todos somente se governos, empresas, organizações e cidadãos assumirem as responsabilidades por esse desafio. 

Uma visão integrada do uso desses recursos é de extrema urgência e relevância”, alerta Maria Cecília Wey de Brito, CEO do WWF no Brasil.

Segundo o relatório Planeta Vivo do WWF, a produção de alimentos aumentou 45% nos últimos 20 anos. 

Até 2030, a demanda mundial por energia primária e por água crescerá 26% e 53%, respectivamente. 

Esse aumento na demanda impactará a produção de alimentos, que consome um terço da energia primária e 70% da água disponível no planeta, por exemplo. 


O local da Conferência Anual do WWF foi escolhido por abrigar um dos maiores patrimônios naturais da humanidade, as Cataratas do Iguaçu, e por estar em um dos biomas mais ricos e ameaçados no mundo, a Mata Atlântica. 

Hoje, restam apenas 11,7% do bioma em seu estado natural e 60% dos animais ameaçados de extinção do país dependem desse ambiente para sobreviver. 

As áreas do Parque Nacional do Iguaçu, no Brasil, e do Parque Nacional Iguazú, na Argentina, chegam a 244 mil hectares protegidos de Mata Atlântica e abrigam mais de 250 espécies de árvores, estima-se que mais de 550 espécies de aves, 120 de mamíferos, 79 de répteis e 55 de anfíbios possam ser encontradas lá.

Entre os participantes do evento, estarão: Yolanda Kakabadse, presidente do conselho do WWF Internacional; Marco Lambertini, novo diretor-geral do WWF Internacional; André Hoffman, vice-presidente do conselho do WWF Internacional; Philippe Prufer, presidente do conselho do WWF-Brasil; e Maria Cecília Wey de Brito, CEO do WWF-Brasil.

Na manhã do dia 6, terça-feira, Bráulio Dias, secretário executivo do Secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD) da ONU; Marcos Jank, diretor global de Relações Governamentais da Brasil Food; e Mara Mourão, diretora, roteirista e fundadora da produtora Mamo Filmes, irão trazer suas visões sobre o tema da conferência, Alimentos, Água e Energia para Todos. No total, serão cerca de 100 convidados e mais de 200 participantes.


Desafios para um mundo sustentável:

Durante o encontro, um dos assuntos debatidos será a posição do WWF em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, um dos produtos resultantes da Rio +20 e que deverá entrar em vigor até 2015. 

A Rede WWF acompanha esse debate de perto para chamar atenção para a biodiversidade e a sustentabilidade ambiental. 

A biodiversidade e ecossistemas saudáveis são a base para a produção de alimentos, o abastecimento de água e energia, a geração de empregos e garantem a saúde e bem-estar da sociedade e a estabilidade social. 

Os ecossistemas florestais, por exemplo, proporcionam abrigo, alimentos, meios de vida, água e segurança para 1,6 bilhões de pessoas, geram 60 milhões de empregos diretos e contribuem US$ 720 bilhões para a economia global.



Segurança alimentar e produção sustentável de alimentos


A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura projeta que, se continuarmos adotando os mesmos padrões de consumo e produção, será necessário um aumento de pelo menos 60% na produção agrícola nas próximas décadas. 

Fatores como as mudanças climáticas, escassez de água e um aumento da erosão do solo poderão limitar o aumento de produção agrícola, e qualquer déficit será sentido prioritariamente pelas populações mais vulneráveis. 

Parte da demanda crescente de produção agrícola pode ser reduzida por meio de um conjunto de ações que visam melhorar o acesso aos alimentos, reduzir o desperdício e excesso de consumo e, ao mesmo tempo, proteger os recursos naturais e a agrobiodiversidade.




Água para pessoas e para o planeta

O Fórum Econômico Mundial (2012) indicou que a indisponibilidade de água é um dos três principais riscos para o crescimento econômico no futuro. 


Para atingir as necessidades de água e ao mesmo tempo manter os serviços que ecossistemas de água doce fornecem para a saúde, estabilidade e desenvolvimento de comunidades humanas, o consumo deve ser gerenciado de forma integrada em todos os setores. 

As soluções necessárias para combater este desafio global são conhecidas. 

O papel que os sistemas naturais desempenham deve ser valorizado de forma consciente, e protegidos por políticas públicas relevantes, por práticas diárias dos governos, do setor privado e também dos cidadãos.



Acesso à energia, fontes renováveis e maior eficiência


Atualmente, uma em cada cinco pessoas no planeta não tem acesso à energia elétrica confiável para serviços essenciais. 

Quase 3 bilhões de pessoas ainda dependem de biomassa local e carvão mineral para cozinhar, enquanto a fumaça tóxica produzida por fogões ineficientes causam até 4 milhões de mortes prematuras de pessoas vivendo em situação de pobreza por ano. 

Acabar com a pobreza energética é crucial. Ao mesmo tempo, o modo atual de produção e consumo de energia no planeta é insustentável: as fontes de combustíveis fósseis são as principais causas das mudanças climáticas. 

Além disso, a dependência desses combustíveis deixa países vulneráveis a preços voláteis, levanta questões de segurança nacional e leva a prejuízos para a saúde e infraestrutura causados pela poluição do ar. Podemos fazer uma mudança coletiva para trilhar um caminho rumo à energia sustentável.





Enviado por : Carolina Bellei

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