terça-feira, 22 de julho de 2014

Relatório do Atlantic Council examina o legado da Copa do Mundo para o Brasil



“O Brasil irá obter o que espera da Copa do Mundo"? Um novo relatório lançado pelo Adrienne Arsht Centro para a América Latina no Atlantic Council defende que o legado mais importante desta Copa não será novos e modernos estádios, tampouco a reputação internacional almejada pelo Brasil por estar sediando este grande evento.

Ricardo Sennes, reconhecido autor brasileiro especializado em assuntos do Brasil e non-resident senior fellow para o Adrienne Arsht Centro para a América Latina, argumenta que o grande legado foi o fortalecimento da sociedade civil brasileira que, ao longo dos preparativos para a Copa, manifestou grande descontentamento com os órgãos políticos responsáveis pela organização do evento no país.

Sete anos após ter adquirido o direito de sediar a competição e três dias antes que o mundo voltou suas atenções para o jogo de abertura da Copa em São Paulo, Sennes expos uma visão abrangente sobre os desafios trazidos pela Copa do Mundo.

A análise sobre a preparação do Brasil para a Copa do Mundo da FIFA expõe, acima de tudo, um olhar para o futuro e lições a serem consideradas para o próximo evento de grande porte a ser realizado no país: os Jogos Olímpicos de 2016.

“O Brasil está passando por um momento de profunda transição. Muitas dúvidas surgiram sobre o “atual modelo,” disse Peter Schechter, diretor da Adrienne Arsht Centro para a América Latina.

“O governo do ex-presidente Lula conseguiu tirar milhões de brasileiros da pobreza, mas falhou em se preparar para a desaquecimento econômico.

Agora, a redução da demanda de exportação e o baixo preço de matérias primas estão expondo o peso de um grande Estado com 200 milhões de cidadãos” disse Schechter.

“Os governos locais terão que resolver novas demandas sociais relacionadas à qualidade de vida da população, o que requer melhorias na qualidade dos serviços públicos e a real inclusão social da nova classe média brasileira, não apenas como consumidores, mas também como cidadãos.

Os Brasileiros irão lembrar como esta Copa do Mundo articulou uma nova narrativa baseada em uma nova dinâmica política para o Brasil, ” disse Sennes.



Os principais pontos do relatório são:

- Um pessimismo crescente sobre os benefícios duradouros da Copa do Mundo. Uma preocupação visível em toda a nação manifestada em protestos, editoriais de jornais, organizações não-governamentais de ativismo sobre o custos excessivos para estádios, greves e críticas estridentes ao governo da presidente Dilma.

- Os preparativos para a Copa do Mundo revelou uma série de disputas políticas e sociais, que revelaram as complexidades das políticas públicas brasileiras para o público.

- A Copa do Mundo é um catalisador para mudanças significativas. Os preparativos desencadearam um debate dinâmico sobre o futuro do Brasil e um novo modelo de desenvolvimento esperado pela sociedade brasileira.

- A Copa do Mundo vai produzir um legado inesperado de uma democracia profundamente reforçada. Resultados decorrentes de investimentos estruturais, acréscimo do fluxo de turistas e uma imagem internacional reforçada não traduzem adequadamente o legado da Copa do Mundo no país.

- E o futuro do Brasil. Atitudes em relação à Copa do Mundo impactarão a narrativa da eleição presidencial de outubro.

"Este relatório é apenas o começo do trabalho que o nosso centro está preparando a respeito do Brasil. Esta pesquisa reforça o entendimento da atual situação interna do país e do efeito que a Copa do Mundo terá nas relações do Brasil com a América Latina, Estados Unidos e Europa ", disse Jason Marczak, vice-diretor do Adrienne Arsht Centro para América Latina.

"Com o Brasil definido para sediar os Jogos Olímpicos de 2016 em apenas dois anos, este relatório acrescenta uma nova dimensão num debate oportuno sobre os impactos de longo prazo que a Copa do Mundo terá sobre a nação", disse ele.

O Adrienne Arsht Centro para a América Latina se dedica a ampliação da consciência das mudanças políticas econômicas e sociais em toda a América Latina.

O Atlantic Council é uma organização apartidária que promove a liderança construtiva dos EUA e seu engajamento nas relações internacionais com base no papel central da comunidade do Atlântico para o enfrentamento dos desafios globais da atualidade.




Enviado por : Atlantic Council

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