sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Arborização, sustentabilidade urbana e saúde


Diversos estudos têm demonstrado que árvores plantadas no ambiente urbano melhoram a qualidade do ar e diminuem os efeitos das altas temperaturas; o conforto térmico percebido pela população proporciona sensação de bem estar, melhorando a qualidade de vida das pessoas.

As árvores, além de reduzirem a contaminação e as temperaturas elevadas, também contribuem para a saúde física e mental, na diminuição da pressão arterial e do estresse urbano.

Levando em consideração este vínculo entre saúde e arborização, pesquisadores americanos, canadenses e australianos quantificaram na medida em que as áreas verdes urbanas contribuem para melhorar a saúde. 


Os resultados publicados na revista “Scentific Reports” do grupo Nature (09 de julho de 2015) mostraram que as áreas urbanas verdes não somente fazem com que as pessoas que moram em sua vizinhança tenham uma melhor percepção da saúde, mas também reduzem o número de patologias de origem cardiovascular e metabólica, como a hipertensão e a obesidade.

Os estudos realizados na cidade de Toronto (Canadá) mostraram, por exemplo, que ter em média mais de 10 árvores em um quarteirão melhora a percepção da saúde de forma comparável a um aumento na renda pessoal anual de 10 mil dólares.

Embora o estudo não identifique os mecanismos pelos quais as árvores produzem estes benefícios, os autores acreditam que a melhoria da qualidade do ar nas zonas mais arborizadas e a capacidade potencial de reduzir o estresse e de promover a atividade física poderiam ser fatores que contribuem para melhoria da saúde.

O estudo é mais um forte argumento da importância da arborização urbana na melhoria da qualidade de vida, e aponta para a necessidade de uma adequada política pública na gestão dessas áreas verdes. 

Os espaços arborizados produzirão efeitos positivos desde que as árvores recebam manutenção regular como as podas que levem em consideração a segurança, a saúde das plantas e a questão estética, pois o verde da natureza, suas flores e frutos, tornam o ambiente mais agradável e contribuem para melhorar a sensação de bem estar das pessoas.

Por outro lado, a concepção de arborização urbana deve estar ligada com a perspectiva de complementação do ambiente natural do entorno da cidade, ou seja, as espécies plantadas e mantidas devem estar em harmonia com o ecossistema em que o meio urbano está inserido. 

Num país de grandes dimensões como o Brasil, com diversos biomas, o plantio não deve levar em consideração o fato da árvore ser brasileira, pois uma árvore típica da floresta amazônica plantada na cidade de São Paulo, localizada em meio à mata atlântica, terá efeitos tão negativos como se fossem de outras regiões do globo.


Fonte: Reinaldo Dias é professor da Universidade Mackenzie Campinas. É mestre em Ciência Política e doutor em Ciências Sociais pela Unicamp e especialista em Ciências Ambientais.

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