quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Degradação do solo pode ser evitada com controle da população microbiológica


Instituído como o Ano Internacional do Solo pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 2015 trouxe à tona a necessidade de prevenção de conservação das áreas férteis no mundo. 

De acordo com estimativas da própria FAO, 33% dos solos no planeta já foram degradados. Só na América do Sul, o problema compromete 14% das terras. Números que afetam diretamente a produção agrícola dos países. 

A conservação do solo, entretanto, depende do seu equilíbrio microbiológico e da manutenção dos microrganismos nele presentes. 

“Quanto mais heterogênea for a população de microrganismos no solo, mais rico e equilibrado ele vai ser”, explica Ney Ibrahim, diretor comercial da Alltech Crop Science no Brasil, empresa que aderiu ao ano de conscientização e tem atividades relacionadas ao tema programadas durante o ano.

Estudo realizado pela American Society for Microbiology, com apoio da Alltech Crop Science, mostra ainda que os microrganismos presentes no solo propiciam às plantas aquisição de nutrientes, resistência a patógenos, a predadores e ao estresse ambiental. 

Consequentemente, contribuem para o desenvolvimento e o rendimento dos cultivos, produzindo alimentos mais saudáveis.

De acordo com Ibrahim, a população microbiológica é ameaçada pela utilização inadequada de defensivos que permite que doenças se instalem nos cultivos. O ideal, segundo ele, é a aplicação de soluções de origem natural de baixo impacto ambiental. 

“O uso excessivo de herbicidas, fungicidas e bactericidas destrói a microflora do solo e impede seu equilíbrio, dando a oportunidade para que doenças apareçam”.

Robert Walker, diretor global da Alltech Crop Science, destaca que é necessário estudar soluções inovadoras para a agricultura. 


“Práticas agrícolas ultrapassadas degradaram terras no mundo todo. Se elas continuarem, em 60 anos não teremos mais agricultura, segundo a ONU. Por isso, precisamos recuperar o solo com novas tecnologias e enxergar o agronegócio em longo prazo”.

Estudo e diálogo:

Os solos abrigam mais de um quarto de toda a biodiversidade do planeta, mas apenas 2% desses microrganismos são conhecidos, conforme Walker. 

“Estamos focados em estudar e compreender o papel dos microrganismos desconhecidos, que são 98% de todos os existentes. Nos próximos cinco anos, planejamos replicar os programas dos nossos Centros de Pesquisas em outras partes do mundo para desenvolver estudos mais regionalizados”.

No Brasil, a empresa já iniciou trabalhos de conscientização com agricultores de diversas regiões do país. Com visitas a campo, técnicos e agrônomos dão assistência no mercado e orientam agricultores sobre manejo sustentável, recomendando boas práticas de produção para que a estrutura do solo seja melhorada.

“Levamos orientações ao produtor para que ele mantenha o seu solo reestruturado fisicamente, rico em termos de matéria orgânica e população microbiológica. Além disso, para que ele busque as melhores práticas de manejo com redução no uso de defensivos, proporcionando um equilíbrio químico do solo”, conta Ney.


Fonte:Gabriela Titon 

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