segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Relação entre Brasil e EUA deve continuar em crescimento


No dia 20 de janeiro, Donald Trump se tornou oficialmente o 45º presidente dos Estados Unidos na tradicional cerimônia de posse que aconteceu em Washington. Muitas especulações ainda circundam o novo governo, mas, no que tange a relação bilateral Brasil-EUA, as expectativas são de manutenção de uma relação positiva com perspectivas de crescimento. É o que acredita Deborah Vieitas, CEO da Amcham Brasil, a maior Câmara Americana, entre 114 existentes fora dos Estados Unidos .

A CEO da Amcham aponta que o país mantém uma relação positiva com os norte-americanos e, por isso, pode colher bons resultados. “A gente não tem déficit comercial com os EUA, as nossas empresas implantadas lá são exportadoras e somos receptores de um estoque importante de investimento americano. Temos no Brasil mais de 116 bilhões de dólares em investimento americano, e as subsidiárias brasileiras exportam, a partir dos EUA, cerca de US$ 5,6 bilhões em produtos e serviços para outros países”, destaca.

A balança comercial brasileira em 2016 foi neutra e não gerou nenhuma externalidade negativa que pudesse abalar a continuidade das relações. “Em 2016, nós exportamos para os EUA 23 bilhões de dólares e importamos 23 bilhões de dólares. Então, foi uma relação comercial neutra e não gerou para nenhum dos países déficit comercial nessa relação bilateral”.

A CEO destaca que pontos da agenda bilateral Brasil-EUA devem ser trabalhados, como o alinhamento da regulamentação dos dois países com o intuito de facilitar o comércio exterior. “Há várias discussões sobre coerência e convergência regulatória que são processos que aproximam nossas legislações e que no final nos ajudam a fazer mais comércio com os EUA”.

Para Deborah Vieitas, o momento é oportuno: “muito provavelmente, nós estaremos assistindo a um maior crescimento da economia americana se o Presidente Trump realizar os investimentos anunciados em infraestrutura, reduzir impostos e liberalizar regulamentações que restringem setores empresariais dos EUA.”

Do lado brasileiro, Vieitas acredita em alguns impactos. “Esse crescimento poderá trazer impactos para o Brasil – do lado econômico, pode suscitar a necessidade de um aumento de juros nos EUA para conter a inflação, o que levará a um aumento de custos de financiamentos em moeda estrangeira para o Brasil. Por outro lado, um dólar mais forte, significa um Real mais desvalorizado, o que aumenta a competitividade das nossas exportações. O ritmo de crescimento da economia americana poderá inclusive ter impacto no crescimento dos preços de commodities, o que para nós de qualquer forma é positivo”, completa.


- Acordo comercial:

Além da agenda de convergência e coerência regulatória, um estudo produzido pela Amcham, em parceria com o Centro de Comércio Exterior da FGV, indica, através das suas projeções, que um o acordo bilateral entre as nações geraria um crescimento nas exportações brasileiras da ordem de quase 7% e um salto de cerca de 1,3% do PIB, em um espaço de 15 anos, e do lado americano, existem também significativas vantagens econômicas se levássemos adiante a discussão de um acordo comercial bilateral.

“É claro para mim que o presidente Trump tem restrições a acordos comerciais que foram negociados há bastante tempo e com prioridade dada mais à geopolítica do que à economia. Eu acredito que a prioridade será dada ao desenvolvimento de acordos comerciais bilaterais mais do que a mega acordos comerciais como o TPP (Tratado Transpacífico) desenhado pelo Governo Obama. Nesse sentido, o Brasil está num contexto muito positivo, pois não temos nenhum tipo de desgaste no que tange à política, e, do lado econômico e comercial temos uma relação equilibrada e uma importância grande para empresas americanas aqui instaladas e que aqui tem um volume de investimentos significativo”, afirma Vieitas.

Outro tema abordado por Deborah Vieitas é a intensificação dos processos que já estão em curso para facilitar o fluxo de livre comércio, bem como o fluxo de pessoas. “O Brasil e os Estados Unidos estão negociando há algum tempo o estabelecimento de um procedimento imigratório denominado global entry, que é um processo de aprovação prévia de vistos para pessoas que tem negócios nos EUA e que faria com que o processo de entrada no país fosse mais rápido. Ele não está concluído porque há pendências do nosso lado, do ponto de vista de estruturação e interligação de sistemas. Este é um exemplo de discussões que estão em estágio avançado e, que podem ser retomadas e podem gerar resultados rápidos”, conta.

Sobre as incertezas a respeito do programa a ser implementado por Trump, a CEO da Amcham acredita que uma vez que a economia americana já encontra-se saneada da crise de 2008, o novo Presidente assumiu compromissos relevantes de investimento e de geração de empregos que serão negociados ao longo do seu governo, não só com o setor privado, mas também com o Congresso.

“Nós temos que considerar que os EUA têm instituições muito sólidas, tem um congresso com pesos e contrapesos que também vai ter um papel.” Segundo Vieitas, não é a primeira que um governo tem uma equipe com grande experiência empresarial.  No entanto, “é a primeira vez que essa experiência empresarial está tão marcante no conjunto da equipe, o que pode gerar grandes oportunidades de negócios porque ela detém um entendimento aprofundado de como as ações de governo podem afetar ou não a economia do país.”

Do lado brasileiro, é preciso desenhar uma estratégia objetiva. “Cabe também ao Brasil também definir claramente suas ambições com relação aos EUA e, focar na realização de suas principais reformas que certamente terão impacto na competitividade das empresas brasileiras e, facilitarão a atração de investimentos dos EUA”, conclui Vieitas.


16 Fatos e dados da relação Brasil-EUA, segundo Amcham Brasil:

 O Brasil passou por um processo recente de mudança de Governo. Os EUA passam a ter um novo Governo em 20/01 . É um momento propício para retomada de assuntos importantes para as relações políticas e econômicas entre os dois países

 O Brasil é um parceiro histórico dos EUA e sempre foram aliados na configuração da geopolítica mundial

 As relações econômicas, comerciais e empresariais sempre evoluíram independente de questões de conjuntura política

 • A parceria econômica entre Brasil e Estados Unidos deve ser entendida como um “jogo” de soma positiva para ambos os lados. Os dados de fluxos de investimentos diretos, a importância e qualidade da pauta comercial e, a perspectiva de indicadores positivos para os dois países em potenciais acordos, exemplificam isso

• De acordo com dados do Banco Central, os Estados Unidos continuam a ser o país com maior volume de Investimento Externo Direto (IED) no Brasil, com estoque no valor de US$ 116 bilhões, até 2013 (último dado disponível)

 Em 2014, o BACEN estimou que teriam ingressado no Brasil aproximadamente US$ 8,5 bilhões de IED provenientes dos EUA

 O Brasil é o maior destino de investimentos dos EUA na América do Sul

 As subsidiárias de empresas brasileiras exportam, a partir dos EUA, cerca de US$ 5,6 bilhões em produtos e serviços para outros países

 Mais de 7 mil empresas brasileiras exportam produtos e serviços para os EUA (Fonte: SECEX)

• Principais itens da pauta de exportações do Brasil para os EUA em 2016 (por ordem decrescente de valores): Máquinas mecânicas; Aviões; Ferro e Aço; Combustíveis; e Café

 O Brasil ocupa a 17ª posição mundial no ranking geral de importações dos EUA, com US$ 28 bilhões, representando 1,2% do total

• O fluxo de investimentos diretos dos EUA no Brasil cresceram a uma taxa anual média de 7,67% entre 2010 e 2016 (até nov)

 O fluxo de investimentos diretos do Brasil nos EUA cresceu a uma taxa média anual de 6,5% entre 2010 e 2016 (até nov)

 O crescimento dos ativos brasileiros nos Estados Unidos foi de 221% entre 2007 e 2012

• Os ativos norte-americanos no Brasil tiveram um crescimento de 37%, atingindo US$ 283 bilhões em 2012

 Destaque para o fato de que o valor investido pelos Estados Unidos no Brasil representa 53% do total de ativos do país na América do Sul em 2012.


Fonte: Alessandra Petraglia



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